Comunicação: a habilidade que está ficando rara e valendo cada vez mais

As pessoas estão perdendo a prática de conversar, apresentar e vender as próprias ideias. Por que a comunicação falada vale cada vez mais para empreendedores e para a carreira.

Falamos muito aqui sobre empreendedorismo, gestão, inteligência artificial e negócios. Mas existe uma habilidade que atravessa todos esses temas e que, na minha percepção, está ficando cada vez mais rara: saber se comunicar.

E quando eu falo de comunicação, não é só a escrita. É a comunicação falada mesmo: conversar, apresentar uma ideia, defender um ponto de vista, negociar, falar em público, convencer.

Estamos perdendo a prática de conversar

As pessoas passam cada vez mais tempo no computador, nas redes sociais e no celular. A conversa virou mensagem, o debate virou comentário, a apresentação virou um link enviado no grupo. O resultado é que muita gente tem dificuldade de se comunicar ao vivo, olho no olho.

Somado a isso, mudou a forma de estudar. Com mais ensino a distância e cursos online, há menos trabalho em grupo, menos seminários, menos apresentações para a turma. Esses formatos têm muitas vantagens, mas tiram de cena justamente os momentos em que a gente aprendia a apresentar, a trabalhar em equipe e a vender as próprias ideias.

Quem sabe se comunicar nunca passa necessidade

Comunicação sempre foi e sempre vai ser muito importante. Tem um ditado que eu gosto: um bom comunicador, um bom vendedor, nunca passa necessidade. Ele sabe se expressar, sabe criar conexão e sabe “vender o seu peixe”.

No mundo corporativo é a mesma coisa. Quantas vezes a gente vê pessoas extremamente técnicas, os melhores alunos da sala, se tornarem excelentes funcionários, mas trabalhando para quem era da “turma do fundão”? Aquela galera da resenha, que talvez não tirasse as melhores notas, mas sabia conversar, se relacionar e apresentar uma ideia.

Conhecimento técnico abre a porta. Comunicação é o que faz você atravessá-la.

Não é que o conhecimento técnico não importe. Ele importa, e muito. Mas sozinho ele não basta. Uma ótima ideia mal comunicada vale menos do que uma boa ideia bem comunicada.

As oportunidades que passam em silêncio

Quem não desenvolve a comunicação perde oportunidades sem nem perceber: a promoção que foi para quem soube se posicionar, o cliente que fechou com o concorrente que explicou melhor, o projeto que não saiu do papel porque ninguém conseguiu convencer a diretoria.

Para o empreendedor, isso é ainda mais crítico. O empresário comunica o tempo todo: vende para clientes, negocia com fornecedores, apresenta para investidores, lidera o time, representa a empresa. Comunicação não é um extra, é parte do trabalho.

Startups: o investidor também aposta em quem comunica

No mundo das startups isso fica ainda mais evidente. Saber fazer um bom pitch é praticamente uma condição para existir: em poucos minutos você precisa explicar o problema, a solução, o mercado e por que vale a pena apostar em você.

E aqui vai algo que eu vejo acontecer do lado do investidor: muitas vezes a gente nem gosta tanto da ideia, mas gosta do comunicador. Gosta da clareza, da convicção, da forma como a pessoa defende o que acredita. E, em muitos casos, acaba acreditando mais no fundador do que na própria ideia.

Faz sentido. Ideia muda, produto pivota, mercado se transforma. O que fica é a pessoa: a capacidade dela de vender a visão para o time, para os clientes e para os próximos investidores.

Muitas vezes o investidor não compra a ideia. Compra quem está apresentando.

Essa é a força de saber se comunicar.

Comunicação se aprende

A boa notícia é que comunicação não é dom, é habilidade. E habilidade se treina. Algumas formas de praticar:

  • Falar em público sempre que surgir a chance: reuniões, eventos, apresentações internas.
  • Trabalhar em grupo e assumir o papel de quem apresenta o resultado.
  • Conversar mais ao vivo e menos por mensagem, principalmente nos assuntos importantes.
  • Aprender outras línguas e conviver com outras culturas, o que amplia a forma de pensar e de se expressar.
  • Pedir feedback sobre como você comunica, e não só sobre o que você entrega.

E uma dica de leitura para quem quer evoluir nisso: Como Falar em Público e Encantar as Pessoas, de Dale Carnegie. É um livro que eu li e recomendo para quem quer melhorar a comunicação e a oratória. Carnegie mostra que falar bem em público não é talento de poucos: é preparação, prática e confiança, construídas aos poucos.

O que eu quero ensinar em casa

Isso para mim não é só teoria de negócios. É algo que eu quero que a minha filha, Maya, aprenda: a se comunicar bem, a falar em público sem vergonha, a se expressar em outras línguas e a conhecer outras culturas. Porque, seja qual for o caminho que ela escolher, essa habilidade vai abrir portas.

Para o empreendedor, para o empresário e para qualquer pessoa que queira crescer na carreira, a comunicação sempre foi e sempre vai ser essencial. Num mundo cada vez mais digital, quem souber conversar de verdade vai se destacar ainda mais.